Guimarães Rosa

No vídeo, através de entrevistas com parentes, amigos e estudiosos de sua obra, o acervo sobre o escritor Guimarães Rosa da TV Cultura é usado para mostrar como a sua linguagem genial, única e extraordinária serviu e serve de inspiração para vários pesquisadores, artistas e admiradores da sua obra.

“Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no Rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranquilos e escuros
como o sofrimento dos homens.”

João Guimarães Rosa nasceu em 1908 na cidade de Cordisburgo, no interior de Minas Gerais. Demonstrava um interesse voraz pelos estudos desde cedo e tornou-se um homem extremamente culto.

“Falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituânio, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do tcheco, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração.”

Rosa formou-se em Medicina e, após prestar concurso em 1933, foi efetivado como Oficial Médico do nono Batalhão de Infantaria. Porém, de acordo com uma carta que escreveu em 1934, descobriu que esta não era a sua vocação.
Prestou então concurso para o Ministério do Exterior e ficou em segundo lugar. Em 1938, foi nomeado Cônsul Adjunto em Hamburgo e seguiu para a Europa, onde conheceu a sua segunda companheira: Aracy Moebius de Carvalho.

Durante a Segunda Guerra Mundial, escapou várias vezes da morte e, junto com a esposa, facilitou e protegeu a fuga de vários judeus perseguidos pelo Nazismo (O casal foi homenageado posteriormente em Israel com a mais alta distinção concedida pela comunidade judaica). Retornou ao Brasil somente em dezembro de 1945.

Fenômeno da literatura brasileira, Rosa começou a publicar apenas aos 38 anos. O autor, com seus experimentos linguísticos, sua técnica, seu mundo ficcional, renovou o romance brasileiro, concedendo-lhe caminhos até então inéditos. Sua obra se impôs não apenas no Brasil, mas alcançou o mundo.

Escrito nos anos 30, o volume “Contos”, após revisão feita em 1946, lhe rendeu vários prêmios e reconhecimento, e transformou-se na obra “Sagarana”, onde o autor transpõe a linguagem rica e pitoresca do povo, registra a beleza selvagem da paisagem mineira e apresenta regionalismos jamais retratados na literatura brasileira.
O sertão e o misticismo estão muito presentes em sua vida e obra.
Em ensaio crítico sobre o livro “Corpo de Baile”, o professor Ivan Teixeira afirma que este talvez seja o mais enigmático da literatura brasileira. As novelas que o compõem formam um sofisticado conjunto de logogrifos, em que a charada é alçada à condição de revelação poética ou experimento metafísico.

Em 1956 foi lançada a sua grande obra “Grande Sertão: Veredas”, que consegue ter ao mesmo tempo dimensões regionais e universais, além de apresentar uma linguagem surpreendente, notada através da análise minuciosa dos conflitos psicológicos presentes na história.

Em 1958 foi promovido a Ministro de Primeira Classe (cargo correspondente a Embaixador).
No ano de 1961, recebeu pela ABL o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da sua obra e obteve reconhecimento internacional.

Em 1967, ano da sua morte, seria indicado para o Prêmio Nobel de Literatura.

*Bibliografia sobre o autor:

Bosi, Alfredo (org.). O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 1994.

Holzemayr, Rosenfield Kathrin. Grande Sertão: Veredas. São Paulo: Ática, 1996. (Roteiro de Leitura).

Macedo, Tânia. Guimarãres Rosa. São Paulo: Ática, 1996. (Ponto por Ponto).

Perez, Renard. Em Memória de João Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1968.

Rosa, Vilma Guimarães. Relembramentos, Guimarães Rosa, meu pai. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.

Santo, Wendel. A construção do romance em Guimarães Rosa. São Paulo: Ática, 1996.

Sperber, Suzi Frankl. Guimarães Rosa: signo e sentimento. São Paulo: Ática, 1996. (Ensaio).

Zilberman, R. A Leitura e o ensino da literatura. São Paulo: Contexto, 1989.

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