A pretensão de querer ser compreendida

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Sempre me julguei uma pessoa clara, simples, honesta. Mas com o tempo fui percebendo que quanto mais eu me aproximava de mim, da minha essência, menos as pessoas me entendiam. Algumas até me julgaram como falsa, o que para mim era dolorido e me dava raiva.

Improvável, eu era difícil, diferente demais, não era crível. Tinha que passar uma imagem mais esteriotipada para ser aceita, para que gostassem de mim…? Não, isso não combinava comigo, nunca fui assim. Só por pequenos momentos, pelos quais me senti uma traidora de mim depois.

Desencaixada, ia tendo uma visão da visão que os outros tinham sobre mim. Às vezes me escondia, ficava quieta, não queria incomodar. Qualquer manifestação do meu ser provocava estranhamento, críticas e brigas. Por que isso acontecia comigo? Por que eu provocava tanto estranhamento? Fui me matando por dentro…

Saia para a rua, mas “me deixava em casa”, disse uma professora. E aquilo foi ficando na minha cabeça, martelando e me consumindo. As frases proferidas pelas pessoas com as quais convivia voltavam o tempo todo, me infernizavam!

Busquei ajuda, porém fui mal interpretada, novamente não consegui me fazer entender! A cada conversa, me sentia pior por não conseguir compartilhar eficientemente com alguém o que eu realmente sentia nos meus relacionamentos… Queria melhorar a minha comunicação, os meus relacionamentos. Eu estava sempre errada? A culpa era sempre minha? Eu tinha que ser mais tolerante comigo ou com os outros?

Foi nesse momento que comecei a questionar: por que eu precisava estar certa? Para parecer mais cristalina aos olhos alheios? Percebi que sou um pouco turva e comecei a gostar disso. Me senti mais livre, mais solta. Será que aquilo era tudo vaidade? Muitas pessoas são vaidosas, querem ser vistas de determinada forma, que muitas vezes não condiz com o que são. Será que eu estava me super estimando? Não, diziam os mais chegados. Provavelmente, pensavam os menos chegados e mais desconfiados. Muitas vezes, para evitar que isso acontecesse, me desvalorizei ou fiquei na concha.

Como podem desconfiar de mim? Eu não aceitava isso. Tenho orgulho da minha integridade, gosto da minha complexidade. A complexidade do que somos é o que nos torna autênticos, únicos, condizentes com a nossa verdadeira alma. E encontrar-nos é uma busca profunda.

– Daniela, você se cobra demais- me disse uma amiga- há muita competição por aí, querem nos sabotar, puxar o nosso tapete. Não se exponha tanto, saiba com quem você pode se abrir…” É assim mesmo! Tem pouca gente que age com cooperação, poucos se sensibilizam e se preocupam com o que estamos sentindo.

Empatia era uma característica minha, mas eu não podia exigí-la de todos, assim como outros possuem características que não temos, mas que podemos desenvolver. Quando nosso eu verdadeiro vem à tona, os amigos verdadeiros nem sempre apoiam as nossas decisões, temos opiniões diferentes e precisamos nos respeitar. Mas nem todo mundo nos respeita. Tem muita coisa debaixo dos panos, a comunicação é muito mais imprecisa e difícil do que parece. As entrelinhas são complexas e profundas. Talvez eu também tenha sido muito desconfiada acerca das intenções dos outros, mas noutras vezes, posso ter tido uma impressão certa, posso ter feito uma boa leitura, e o afastamento pode ter me poupado de viver situações desagradáveis.

Resolvi dar um basta nisso tudo, deixar a vida fluir, sem pretensão, sem cobranças excessiva. Deixei-me derreter ao sol.

Crédito da imagem: Adriana Pascual
Crédito da imagem: Adriana Pascual

Imagem: http://www.cayomecenas.com

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13 comentários sobre “A pretensão de querer ser compreendida

  1. Incrivelmente sincera. Olha Fernanda há muito tempo não vejo pessoas com coragem para dar descrição ao que de fato ocorre no mundo virtual principalmente e na vida real. Sua descrição de tal situação creia que não é única, apenas com pequenos detalhes diferenciados do que todos vivenciam na vida.
    Muitas vezes para ser educado e não mandar ir aquele lugar, preferia descrever de forma sacana em aliterações para provocar mesmo.
    Não entendo se por traumas ou por se sentirem excluídas as pessoas quando percebem alguém feliz mas que fala sobre a realidade triste de muitos começam a querer dar nomeações ou lhe colocarem como algum tipo de psicopatia, quando abem da verdade são eles que se retorcem e se fecham.
    Aprendi a ser o que sou, e conversam ou fazem amizades comigo os que desejam, não digo que não magoam certas pessoas, mas arranhões fazem parte de nossa trilha.
    Deixo a ti um pequeno exemplo que sei entenderás.

    https://kambami.wordpress.com/2014/11/23/pedras-atiradas/

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  2. Pois é, Gi, as desilusões vêm das expectativas que projetamos nos outros. Nos resta tentar saber o quanto podemos nos entregar aos relacionamentos, mas com a consciência de que nem sempre conseguiremos descobrir qual é o grau de envolvimento que “podemos”manter com determinado indivíduo. A vida nos reserva muitas surpresas, mesmo com sabedoria as pessoas erram por desconfiarem demais ou por se iludirem. Qual seria a graça da vida sem nos relacionarmos? Ficarmos fechados é sinal do medo, que todos nós aprendemos a ter após passarmos por experiências que nos machucaram, no entanto penso que devemos sempre dar uma chance para que surjam novas amizades.
    Obrigada pelo papo tão agradável!
    Bjs.

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  3. Perfeito! Fernanda é necessário que haja as adversidades pra crescermos espiritualmente como cv mesmo disse. Aqueles relacionamentos que não nos fazem sentir bem as vezes são exatamente prq não concordam com a gente do jeito que a gente quer, então eles se tornam indispensáveis. Desejar exatamente o que queremos e gostamos nunca teremos por perto por isso a existência da reencarnação (mas aí é outro assunto). Fê, sou uma pessoa extremamente disponível para os outros, gosto com facilidade das pessoas, me doo integralmente, sou amiga, compreensiva…mas a sabiência anda ao lado, num piscar posso perceber que não era o desejava ou pensava, mas faço questão de insistir, quem sabe não sou eu a errada? se não, então saio com a mesma sutileza que entrei, mas não deixo rastro de rancores. É assim querida a vida é muito complexa, de verdade e como disse daria um belo bate papo. Ah! pessoas como eu sofrem demais com as desiluções. bjkas. Gi.

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  4. Verdade, Giselle.
    Somos pessoas muito diferentes, porém parecidas em vários aspectos. Simples e complexas ao mesmo tempo. No convívio é importante saber lidar bem com a diversidade de valores e aprender com essas experiências. Nem sempre nos compreenderão e muitos nos rejeitarão, sem ao menos nos conhecerem direito. Como passar uma impressão mais autêntica nos nossos relacionamentos? Como saber se estamos sendo justos nas nossas impressões sobre os outros? Este texto discorre sobre o abandono dessa necessidade de aprovação que sentimos. É bom ser compreendido e querido, mas precisar sempre desse afeto e da compreensão de todos é vaidade. Da mesma forma que nos rejeitam, rejeitamos algumas pessoas por elas terem valores com os quais não concordamos ou por qualquer motivo, consciente ou inconsciente. Isso faz parte da vida, temos que saber ouvir o outro, sem julgá-lo precocemente e assim fazer melhores escolhas de convivência para nós, na medida do possível. Há relacionamentos que nos fazem mal, até mesmo quando exercitamos a tolerância. Precisamos conhecer quais são os nossos limites para que eles possam ser impostos de uma maneira sensata em cada situação e procurar conhecer e respeitar os limites dos outros também. Para isso é necessário desenvolver a sensibilidade e agir com bom senso sempre.
    Bjs.

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  5. Ah Fernanda, isso daria um belo bate papo, não em busca do que seria o correto mas agregar valores, que são tantos e que precisamos lidar com todos eles, não existe o certo e o errado, apenas temos que aprender a lidar com todos eles e respeitá-los de forma a usar o bom senso. bjs. Gi.

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  6. É uma decisão e tanto. Sábia, já que escolhe o que há de verdadeiro para optar. Verdades, me conta a vista do meu ponto, têm muitas faces, muitos momentos e diversas etapas para que a gente consiga chegar a nós mesmos. É caminhando que se chega à essência da vida. Boa viagem.

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