Uma carta de amor

anayde-beiriz

“(…) O amor que não se sente capaz de um sacrifício não é amor; será, quando muito, desejo grosseiro, expressão bestial dos instintos, incontinência desvairada dos sentidos, que morre com o objetivar-te, sem lograr atingir aquela atura onde a vida se torna um enlevo, um doce arrebatamento, a transfiguração estética da realidade… E eu não quero amar, não quero ser amada assim… Porque quando tudo estivesse findo, quando o desejo morresse, em nós só ficaria o tédio; nem a saudade faria reviver em nossos corações a lembrança dos dias findos, dos dias de volúpia de gozo efêmero, que na nossa febre de amor sensual tínhamos sonhado eternos.
Mas não me julgues por isto diferente das outras mulheres; há, em todas nós, o mesmo instinto, a mesma animalidade primitiva, desenfreada, numas, pela grosseria e desregramento dos apetites; contida, nobremente, em outras, pelas forças vitoriosas da inteligência, da vontade, superiormente dirigida pela delicadeza inata dos sentimentos ou pelo poder selético e dignificador da cultura.

Anayde Beiriz (1905-1930) foi uma escritora e professora paraibana, namorada do advogado João Dantas, que assassinou o governador João Pessoa por motivo político. O casal foi preso e as suas mortes foram divulgadas como suicídios.

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13 comentários sobre “Uma carta de amor

  1. O meu critério para discernir uma pessoa comum de outra a quem podemos chamar de sábia…É exatamente condensar muita informação em pouco conteúdo.
    Parece que não me fiz entender em meus comentários sobre as virtudes de Fernanda Marques Lisboa…. Alguns dias atrás eu compartilhei no GOOGLE+ os índices conhecidos como “Curva do Sino”, que ditos de modo condensados nos fazem constatar que de 4 pessoas tomadas em qualquer país do planeta, serão distribuídas em um dos três grupos abaixo:
    NORMAIS OU MEDIANAS = Duas.
    ACIMA DA MÉDIA = Uma
    ABAIXO DA MÉDIA = Uma.

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  2. Isso mesmo, Antoniocarlos. Esse texto que você postou aqui está na Wikipédia para quem quiser ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Duarte_Dantas
    Agradeço o seu elogio, porém não me considero acima de ninguém. Sou apenas uma pessoa estudiosa, assim como milhares de pessoas. Geralmente posto textos curtos para que uma leitura breve desperte a curiosidade dos leitores do blog e para que eles pesquisem mais sobre o assunto, assim como você fez.
    Obrigada.
    Deus te abençoe.

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  3. FERNANDA MARQUES LISBOA tem um inteligência e uma sensibilidade muito acima daquelas que percebemos nos demais seres Humanos.
    É CLARO QUE EU EXAMINEI O VÍDEO ACIMA… Fui muito além e descobri esse material da História do Brasil que guarda toda relação com João Dantas e com a real causa de Anayde Beiriz (1905-1930)…Ter cometido suicídio aos 25 anos de idade, como podem ver a seguir:
    O NOME DE JOÃO DANTAS está ligado à História da Paraíba, principalmente porque foi o autor dos disparos fatais que vitimaram o então presidente do estado da Paraíba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.4 João Pessoa era candidato a vice-presidente do Brasil na chapa encabeçada por Getúlio Vargas, contra o grupo paulista de Júlio Prestes. A morte é considerada o estopim da Revolução de 1930, quando Getúlio ascendeu ao poder, após um levante popular contra uma suposta fraude nas eleições. Os disparos que vitimaram João Pessoa nao tinham motivos políticos, e sim, em sua maior parte pessoais, uma vez que João Pessoa, como chefe da Polícia ordenou a invasão do escritório de João Dantas, publicando suas cartas íntimas.
    João Dantas era adversário político de João Pessoa e aliado de José Pereira de Lima, chefe político do município de Princesa Isabel, o qual liderava uma intensa oposição às medidas governistas contra os interesses comerciais do grupo sertanejo. José Pereira recebia apoio dos irmãos Pessoa de Queirós, de Pernambuco, primos de João Pessoa e proprietários do Jornal do Commercio.
    A atitude de João Dantas costuma ser atribuída não à divergência política diretamente, mas a uma questão de cunho pessoal. O embate político travado entre ele e Pessoa, através da imprensa, inclusive com ataques ao pai de Dantas, Dr. Franklin Dantas, e outros familiares, acendeu o ódio mútuo. Nesse contexto, a Polícia da Paraíba, sob o Governo de João Pessoa, invadiu escritório de Dantas, à Rua Duque de Caxias, e, além de outras coisas, apoderou-se de cartas íntimas entre ele e a professora Anaíde Beiriz.
    O jornal estatal A União fazia suspense diariamente, ao comentar sobre documentos imorais que haviam sido encontrados no escritório de João Dantas. Acrescentava que os interessados poderiam ter acesso ao material, na sede da Polícia. À época, em decorrência de uma reforma no Palácio do Governo, o mandatário do Estado, João Pessoa, despachava em prédio defronte à sede de A União. Segundo o livro Órfãos da Revolução, de Domingos Meirelles, os mais íntimos do presidente paraibano sabiam que nada era publicado no jornal oficial, sem sua aquiescência. A correspondência veio a público, dias depois da invasão.
    A intriga fez que amigos de João Dantas o convencessem a se mudar para Olinda. Por ocasião de uma visita do presidente João Pessoa ao Recife, amplamente noticiada, com o objetivo de receber uma homenagem, João Dantas foi à Confeitaria Glória, na Rua Nova, onde disparou contra Pessoa. Dantas atirou duas vezes no presidente paraibano ferindo mortalmente. Fato este que foi usado pelos revolucionários sulistas a emplacarem a revolução iminente contra o presidente Washington Luis, que culminou levando ao poder Getúlio Vargas.
    Dantas foi detido com seu cunhado Augusto Caldas, que era inocente, na Casa de Detenção do Recife, onde foram chacinados por oito homens que participavam da revolução em 6 de outubro de 1930, no início da Revolução de 1930. A versão oficial indicou suicídio. Também Anaíde Beiriz morreria dias depois, no Recife, por envenenamento, aos 25 anos, provavelmente por iniciativa própria. Outras mortes se seguiram ao episódio, como a do então deputado federal, ex-presidente do estado, João Suassuna, pai do escritor Ariano Suassuna, que foi assassinado, no Rio de Janeiro, por Miguel Laves de Sousa.
    A história já inspirou filmes, livros e peças teatrais. Até hoje, desperta muita polêmica quanto aos detalhes e interesses subjacentes às ações de ambas as partes.

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  4. 😀 Esse texto não foi escrito por mim, Antonio, mas pela escritora paraibana Anayde Beiriz, que infelizmente deve ter sofrido bastante.

    Se quiser conhecer melhor a história desse romance assista ao documentário do link abaixo:

    Abraço. 🙂

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  5. Oi, Cris. Obrigada pelo seu comentário. Elas eram parecidas mesmo, mas acredito que esta foto não seja da Florbela. Não tinha reparado a semelhança antes. 😀 De qualquer forma, ainda na dúvida, vou trocá-la por outra. Obrigada.
    😉 Beijo.

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  6. PRATICIDADE X ELEVAÇÃO DOS SENTIDOS:
    Flores, chocolates, sonhos, poemas. Você vive eternamente em um conto de fadas. Isto é excelente, mas infelizmente todo relacionamento passa por fases, inclusive fases com maus momentos. Tente ser um pouco mais realista para não sofrer com isto. 🙂

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  7. Ah, o romantismo, quanta coisa ideal há nele. Mas tenho um senão. Parece que é tão perfeitinho, tão acima de qualquer suspeita que anda sempre em busca de algo impossível de alcançar. Mas pode ser apenas o dia nublado lá fora.

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