Dra. Nise da Silveira

Dra.Nise

A brasileira Nise da Silveira nasceu em Maceió no dia 15 de fevereiro de 1905 e faleceu no Rio de Janeiro no dia 30 de outubro de 1999. Formou-se em medicina na Bahia, especializou-se em psiquiatria.e fundou o Museu de Imagens do Inconsciente ( http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br ).

Nise foi denunciada por uma enfermeira que mostrou à polícia de Getúlio Vargas os livros marxistas que ela possuía e ficou presa no presídio da Frei Caneca, de 1934 até 1936, onde conheceu Graciliano Ramos, que a descreve no seu livro “Memórias do Cárcere” (José Olympio Ed., RJ, 1953): “… lamentei ver a minha conterrânea fora do mundo, longe da profissão, do hospital, dos seus queridos loucos. Sabia-se culta e boa. Rachel de Queiroz me afirmara a grandeza moral daquela pessoinha tímida, sempre a esquivar-se, a reduzir-se, como a escusar-se a tomar espaço. O marido também era médico, era o meu velho conhecido Mário Magalhães. Pedi notícias dele: estava em liberdade. E calei-me, num vivo constrangimento.”

Após sair da prisão, Nise dedicou-se à leitura da obra de Spinoza e em 1944 foi reintegrada ao serviço público, indo trabalhar no Hospital Pedro II, antigo Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de janeiro.

Manifestava-se como extremamente contrária as formas agressivas de tratamento de pacientes psiquiátricos como: o uso de camisas-de-força na internação compulsória em hospitais psiquiátricos quando este não era absolutamente necessário, o eletrochoque, o choque cardiazólico e insulínico e a psicocirurgia, tudo isto lhe remetia à tortura praticada no Estado novo.

A Dra. Nise foi uma das pioneiras no tratamento dos pacientes esquizofrênicos com Terapia Ocupacional, usando principalmente a arteterapia e animais (gatos e cães) na reabilitação destes. Segundo ela,  “a expressão de vivências não verbalizáveis que no psicótico estão fora do alcance das elaborações da razão e da palavra”, ou seja,  a produção artística seria uma prova da presença da afetividade nestes pacientes, embora ela estivesse interiorizada. Nesta perspectiva, o paciente psicótico não era apenas uma relação de sintomas positivos e negativos, era preciso proporcionar ao paciente um ambiente onde ele pudesse encontrar o suporte afetivo que o ajudasse a retornar ao mundo externo.

No ano de 1954, ela entrou em contato com Carl Jung através de cartas, para buscar compreender as mandalas de seus pacientes

Em 1956 ela criou a Casa das Palmeiras, uma instituição para atendimento dos doentes mentais, sem internação ou restrição de liberdade.

Jung explicou à Nise que as mandalas de seus pacientes eram uma reação de compensação do inconsciente ao caos que a psicose produzia na consciência; uma tentativa autógena de reunificação do ego cindido. A predisposição dos psicóticos para reproduzirem imagens iguais ou semelhantes era uma tentativa de vencer a ruptura do ego, utilizando um material arcaico de situações já vividas pela humanidade e condensadas nos motivos mitológicos (arquétipos). A partir deste momento, a abordagem Junguiana marcou definitivamente o trabalho de Nise.

O primeiro encontro entre Nise e Jung se deu em 1957, no II Congresso Internacional de Psiquiatria, em Zurique. Jung inaugurou a exposição “Esquizofrenia em Imagens”, do Museu de Imagens do Inconsciente, na presença da Nise, que fora para a Suíça com bolsa do CNPq. Esta mostra causou uma enorme sensação e foi o marco do reconhecimento mundial das ideias e do trabalho dela, que completou sua supervisão em psicanálise Junguiana com a amiga Marie Louise Von Franz, assistente de Jung,

A Dra. Nise recebeu muitos títulos e teve o merecido reconhecimento em vida da sua obra e da sua significativa contribuição para a psiquiatria brasileira.

Produção literária:

  • Ensaio sobre a criminalidade da mulher no Brasil. Tese de doutoramento, Faculdade de Medicina da Bahia, Imprensa Oficial do Estado, Salvador, 1926.
  • Jung: Vida e Obra. Este excelente livro introdutório ao pensamento Junguiano teve muitas edições, sucessivamente pela José Álvaro Ed. (Rio de Janeiro, 1968) e Paz e Terra (Rio de Janeiro, 1975, 1976, 1985, 1999), com várias tiragens em cada edição.
  • Terapêutica Ocupacional: Teoria e Prática. Casa das Palmeiras, Rio d Janeiro, 1979.
  • Imagens do Inconsciente. Alhambra, Rio de Janeiro, 1981.
  • Casa das Palmeiras. A emoção de lidar. Uma experiência em psiquiatria. Alhambra, Rio de Janeiro, 1986.
  • O Museu de Imagens do Inconsciente – História. In: Museu de Imagens do Inconsciente, MEC, Rio de Janeiro, pp. 13-29, 1980.
  • Artaud: a nostalgia do mais. Numen Ed., Rio de Janeiro, 1989, juntamente com outros autores: Rubens Corrêa, Marco Lucchesi e Milton Freire.
  • O mundo das imagens. Ed. Ática, São Paulo, 1992.
  • Cartas a Spinoza. Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1995.
  • Gatos, a emoção de lidar. Léo Christiano Editorial, Rio de Janeiro, 1998.

Frases mais conhecidas de autoria da Dra. Nise da Silveira:

• “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: Vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas ajuizadas”.

• “É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade…”

• “Para navegar conta a corrente são necessárias condições raras: espírito de aventura, coragem, perseverança e paixão.”

• “Todo mundo deve inventar alguma coisa, a criatividade reúne em si várias funções psicológicas importantes para a reestruturação da psique. O que cura, fundamentalmente, é o estímulo à criatividade.”

• “Desprezo as pessoas que se julgam superiores aos animais. Os animais tem a sabedoria da natureza. Eu gostaria de ser como o gato: quando não se quer saber de uma pessoa, levanta a cauda e sai. Não tem papo.”

• “Eu me sinto bicho. Bicho é mais importante que gente. Pra mim o teste é o bicho, se não passar por ele, não tem vez. Freud disse que quem pensa que não é bicho, é arrogante.”

• “Porque passei pela prisão, eu compreendo as pessoas e os animais que estão doentes, pobres, que sofrem. Eu me identifico com eles. Sinto-me um deles.”

• “Só os loucos e os artistas podem me compreender.”

Fontes:

Psychiatry on line: História da Psiquiatria

Portal O Nordeste

Enciclopédia Nordeste: Biografia de Nise da Silveira

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