Abandonos

maos

Cada vez que sinto-me abandonada,
morre uma parte de mim.
Um pedaço da minha alma deteriora-se.

Cada ausência sentida,
o meu peito arde em chamas.
Queima.
E este incêndio se alastra com o vento…

Sinto uma corrosão no meu corpo,
me contorço,
agonizo.

Busco o meu ar nos laços,
que quando desfeitos,
desesperam-me.

Lanço-me no mar dos afetos,
no penhasco dos sonhos.
Desprezo a efemeridade,
odeio o transitório, o descartável.

Bom seria se os bons tempos não passassem,
se os momentos felizes não cessassem
e se as más notícias não chegassem.

Mas até as fortalezas desabam.
Nada é estático,
tudo se transforma.

Menos sofreríamos se não nos apegássemos.
No entanto, a beleza de amar consiste
em também pelos outros sofrer
e em deixar o tempo lhes levar.

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